O mérito não tem cor de pele nem etnia

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Mensagem por Loki em Qua Ago 14, 2019 10:24 am

Racismo
O mérito não tem cor de pele nem etnia

João Pedro Marques



Os activistas querem implementar quotas e outros mecanismos compensatórios e precisam desesperadamente de argumentos científicos para justificar esse seu propósito. É gato escondido com rabo de fora.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) não deu aval nem andamento à inclusão de perguntas sobre origem étnico-racial no próximo Censos 2021, como a nossa extrema-esquerda pretendia. No entanto, não custa a crer que para aí se caminhe, por portas travessas, sobretudo se houver, como tudo indica, uma reedição da aliança de esquerda e se o PS, excepção feita a pessoas como Sérgio Sousa Pinto ou Rui Pena Pires, continuar, letárgico, a dar muita margem ao Bloco e a outros radicais, incluindo os que acampam dentro do próprio PS. Importa, por isso, começar a atalhar caminho, não deixar que as coisas continuem a fermentar nos bastidores e enfrentá-las desde já, tendo em mente que a inclusão de perguntas sobre origem étnico-racial no próximo Censos, apesar de derrotada, para já, pelo INE, vai muito provavelmente voltar à baila.

Para se perceber o que faz correr a extrema-esquerda é bom lembrar que o antropólogo Miguel Vale de Almeida foi um dos que deu o tiro de partida nessa corrida, e é ainda melhor reler o que escreveu no Público para defender que, no Censos 2021, se procedesse a uma recolha de dados étnico-raciais da população. Essa proposta é paradoxal para qualquer pessoa civilizada, e com força de razão para quem andou décadas — e muito bem — a defender que não existem raças e a tentar impor princípios elementares de igualdade entre os seres humanos. Como é óbvio, uma recolha de dados étnicos e raciais implica uma marcha-atrás nesse caminho e é o tipo de coisa que se arrisca a perpetuar e a sublinhar traços e diferenciações de índole racista ou potencialmente racista. Mas os actuais activistas anti-racismo passam por cima desses paradoxos se eles servirem os seus objectivos políticos imediatos.

E é de objectivos políticos que esse texto de Miguel Vale de Almeida trata. Tem, aliás, a vantagem de ser extremamente claro quanto a isso, sobretudo se o lermos do fim para o princípio, a melhor forma de ficarmos perfeitamente esclarecidos sobre o que efectivamente move, nesta área, os radicais. Que nos diz Vale de Almeida no fim do seu texto? Que os negros e afrodescendentes têm de ser compensados pelo facto de o serem, ou seja, que é preciso “implementar políticas compensatórias” para aqueles cujos antepassados terão sido vítimas de uma “história de escravatura, colonialismo, racismo legal”, visto que as consequências dessa história “não se abolem” e porque haverá, na visão do antropólogo, um “privilégio branco”.

Eu poderia aqui chamar a atenção de Miguel Vale de Almeida e dos leitores para o facto de que a história é toda ela um tecido de consequências e que nenhuma delas se abole. Todas foram sofridas por quem as sofreu, todas ficaram na memória e no corpo de quem lhes aguentou o embate, todas produziram efeitos. Isso é verdade para qualquer pessoa de qualquer cor de pele ou proveniência, não apenas para os africanos. A Europa, por exemplo, foi durante cinco séculos devastada por invasões e pilhagens altamente destrutivas. Mas esse é um tipo de analogia que nos levaria demasiado longe. O que mais importa, aqui e agora, é perceber que os activistas já definiram o resultado da sua equação, e só precisam de arranjar os termos certos para o justificar. Quando se lê a opinião de gente que exige que, no futuro recenseamento da população, se indiquem a raça e a etnia, temos de perceber que o seu fito não é conhecer a realidade social para depois definir uma política; o fito é alavancar, em futuros dados estatísticos, uma política que já se pré-definiu por razões ideológicas. Por outras palavras, os activistas querem implementar quotas e outros mecanismos compensatórios e precisam desesperadamente de argumentos científicos (estatísticos) para escorar e justificar esse seu propósito. É gato escondido com rabo de fora.

Têm, por isso, feito pressão e continuarão a fazê-la para que o Censos 2021 discrimine as pessoas por raças e etnias para mostrar que há um determinado número total de negros (e de ciganos) e que só uma pequena parcela desse número está representada em certos patamares da vida social e profissional. Um Censos feito nesses termos não iria revelar nada que não se saiba já. Mas iria revelá-lo, se a pretensão dos radicais fosse atendida, de uma forma oficial e quantificada que poderia chegar mais fácil e retumbantemente à opinião pública. Não custa antecipar que, de posse desses dados, apoiados nessa “evidência”, os activistas anti-racistas reivindicariam com mais força a instituição de mecanismos de engenharia social que destruíssem o suposto “privilégio branco” e, entre outras benesses, abrissem alas para formas desviadas e injustas de acesso à universidade. Isso seria uma distorção e a lamentável instituição de um sistema de favorecimento que deve ser combatido frontalmente e desde já. Como ainda há poucos dias António Barreto lembrou, num acertadíssimo artigo sobre quotas e sobre o que elas põem em causa, a “correcção das injustiças sociais que resultam da desigualdade económica não deve ser feita através da destruição do que mais importa numa instituição de ensino superior: o mérito que resulta do esforço. A correcção da injustiça faz-se através do fornecimento de meios aos que querem esforçar-se e lutar pelo saber e pela formação. A correcção da injustiça não se faz com a criação de uma nova injustiça, nem com a destruição de um valor, o da ciência e da cultura”. Ou seja, o acesso à universidade deve depender do mérito e o mérito não tem cor de pele nem etnia. A pobreza muitas vezes tem. É a esse nível que a intervenção social e política deve continuar a ser feita e deve ser urgentemente melhorada.

Em Portugal, os portugueses são, felizmente, pessoas, cidadãos e cidadãs, em plano de igualdade de direitos (se bem que não de riqueza) e pedir-lhes, num recenseamento, que indiquem a cor da sua pele ou a sua origem étnica, não faz sentido. Ou melhor, é um artifício, um boomerang, para atingir outros fins. Não devemos consentir que se vá por essa perigosa estrada. Há perguntas que não se fazem, a não ser que, como Pena Pires já advertia há dois anos, estejamos interessados em abrir uma nova caixa de Pandora.

Historiador e romancista

Fonte: Observador
https://observador.pt/opiniao/o-merito-nao-tem-cor-de-pele-nem-etnia/
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O mérito não tem cor de pele nem etnia Empty Re: O mérito não tem cor de pele nem etnia

Mensagem por Loki em Qua Ago 14, 2019 10:38 am

Expus este artigo por causa do tema a que se refere e não por concordar, eu sabia que estava a caminho o racismo de esquerda e que a sua chegada seria rápida ao território nacional, assim teremos agora que enfrentar o discurso manipulador do "privilégio branco" que provém daqueles cuja inveja resulta da sua incapacidade de lidar com as exigências quotidianas.

São sempre os incapazes que exigem igualdade ou até mesmo vantagens sobre os outros para assim colmatarem as suas falhas e iludirem-se com um mérito que não têm.

Para mim não existem relativismos niveladores nem culturas ao mesmo nível, esmagar milho NÃO É tecnologia de ponta nem bater batuques é o mesmo que tocar numa sinfonia ou cantar uma ópera e por isso não pode ser comparado com os feitos e descobertas de povos que têm como tradição a busca de conhecimento e o aperfeiçoamento da sua realidade não só material mas principalmente espiritual.

Preparem-se para o que aí vem pois nem para varrer o chão teremos trabalho, somos brancos "privilegiados" e temos que por isso ser castigados segundo a agenda de inúteis que deveriam carregar umas sacas e escavar umas valas para perceberem o que custou aos europeus construirem as suas nações.
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