Afinal, será Neto de Moura mesmo uma cavalgadura?

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Mensagem por Raquel Machado em Qui Mar 14, 2019 6:26 pm

Tenho quase a certeza que Costa só pontificou na Greve Feminista porque não quis correr o risco de ser o único funcionário público a não fazer pelo menos uma greve durante esta legislatura.

Neste momento creio que é oficial que sim. Pelo menos é o que se conclui das reacções de Catarina Martins, Rui Rio e António Costa à polémica em torno dos acórdãos do magistrado, que redundaram em fortes ataques à Justiça. Parece-me óbvio que os líderes do BE, PSD e PS estão mortinhos por usar o juiz Neto de Moura como cavalo de Troia para que o poder político tome de assalto o sistema judicial. A única diferença em relação à estratégia dos gregos em Troia é que enquanto estes esperaram que ficasse escuro para levar a cabo o seu intento, os nossos líderes fizeram-no logo ali, mesmo às claras. Valentes.

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Por falar destes líderes, António Costa marcou presença no passado dia 8, Dia Internacional da Mulher, na Greve Feminista. Atenção, longe de mim insinuar que o primeiro-ministro não tenha genuíno interesse pelas questões do feminismo. Agora, tenho quase a certeza que Costa só pontificou no evento porque não quis correr o risco de ser o único funcionário público a não fazer pelo menos uma greve durante esta legislatura.

Um dos pontos cruciais da Greve Feminista foi a desigualdade salarial. Estes movimentos fundamentam a sua luta em dados como os divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: a diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal é de 16,7% e, em média, esta desigualdade implica uma quebra de rendimento de 2.464€ por ano para as mulheres. Orelhudo, sem dúvida. Pena não permitir tirar qualquer conclusão. O que interessava realmente analisar é se com a mesma formação, desempenhando as mesmas funções, tendo a mesma experiência, e trabalhando as mesmas horas, homens e mulheres ganham o mesmo. Ui, só que isso daria muito trabalho. E se ter trabalho já é aborrecido, muito mais aborrecido é ter trabalho para chegar à conclusão que a resposta é, muito provavelmente, “sim”. O que poria em causa imensos postos de trabalho em organizações deste tipo. Postos de trabalho que, presumo, sejam ocupados maioritariamente por mulheres. Levando portanto a uma quebra de rendimento das mulheres. Que as levaria a criar um novo movimento contra a desigualdade salarial. E por aí adiante.

Especialmente dividida nesta cruzada pela igualdade salarial está a esquerda radical. É que a ser verdade que as mulheres ganham menos então seria de esperar que os patrões — capitalistas, obviamente –, para terem mais lucro, contratassem apenas mulheres. O que os tornaria uns verdadeiros feministas. Em contrapartida, os patrões machistas, que acham que o lugar da mulher é em casa, contratariam apenas homens. Por um lado estariam a ser misóginos, por outro estariam a pagar melhores ordenados aos seus funcionários. Ou seja, a esquerda radical tem de optar: ou quer feminismo e leva com o capitalismo selvagem de brinde, ou opta pela defesa dos salários e aguenta com o machismo. Lá está, não há almoços grátis. Quer dizer, até pode haver, mas depois não há como escapar a lavar os pratos e arrumar a cozinha.


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