Há um ‘Tea Party’ no CDS e Cristas não fala dele

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Mensagem por Barão Vermelho em Qua Mar 06, 2019 12:03 am

Um artigo de opinião que defende que as mulheres gostam de ganhar menos que os homens e de casar bem lançou um aceso debate e deixou a pergunta.

O que é a TEM, um grupo dentro do CDS que afronta Assunção Cristas e que a direção do partido prefere ignorar publicamente?

Estão contra o aborto, a eutanásia, a adoção de crianças por casais homossexuais e recusam as quotas para as mulheres. Dizem-se democratas-cristãos mas “não confessionais”, criticam um suposto “marxismo cultural” e acham que as mulheres estão a ser obrigadas a ter uma carreira, a sair de casa, a não ter filhos e agora “até querem” obrigá-las ir para a política.

São militantes do CDS e organizaram-se numa corrente de opinião interna, a Tendência Esperança em Movimento (TEM). Entre os críticos, também nos centristas, há quem os compare ao tea party americano – eles garantem que “não são preconceituosos” e deixam reparos à liderança de Assunção Cristas.

Para Abel Matos Santos, porta-voz da TEM e membro da Comissão Executiva da corrente, “vivemos num tempo em que as coisas nos são impostas, ditas e transpostas como sendo verdades absolutas e irrefutáveis”. Eles, garantem, estão cá para denunciar essas verdades que consideram absolutas e irrefutáveis.

Foi um artigo controverso publicado no jornal Observador e assinado pela médica e membro da TEM/CDS Joana Bento Rodrigues, sobre o papel da mulher, o feminismo e a lei da paridade, que espoletou uma discussão nas redes sociais e fez com que se questionasse que grupo é este dentro do CDS, que tem uma página ilustrada com a fachada da sede do partido em Lisboa e o logotipo do partido bem visível. O artigo já conta com mais de 22 mil partilhas e 320 comentários, só no site do jornal.

Entre as causas por que esta “corrente de opinião” centrista “se bate” e “acredita” – e pelas quais “entende ser seu dever envolver-se ativamente” – está a “ideologia de género”. No site da TEM, o texto de Joana Bento Rodrigues está incluído nesta “causa”.

No artigo, a mulher “dita feminista” é descrita assim: “A que integra as ‘tribos’, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.”

Para Joana Bento Rodrigues “a mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de ‘ter casado bem’, como se fosse este também um ponto de honra.”

Matos Santos está satisfeito com o debate gerado por estes dias que partiu das afirmações da sua companheira de partido: “Isto anda animado, parece que se criou a semana da mulher, sem quotas, só pelo mérito dos textos e das ações. Assim vale a pena!”, exultou na sua página do Facebook. Ao DN, explica-se:

“Quando coisificamos as mulheres, criamos quotas para as mulheres, criamos exceções para as mulheres, com a desculpa de que não são capazes, não têm acesso, não têm possibilidade, que são mais frágeis, mais fracas, nós estamos a diminuir a própria mulher.”

Anos e anos de luta pelos direitos das mulheres têm uma interpretação bem distinta para o porta-voz da tendência do CDS.

“Temos de criar condições para uma sociedade positiva e saudável onde as mulheres possam escolher livremente – e aqui é que é o ponto, a pedra-de-toque -, onde possam escolher livremente o estilo de vida que querem ter.”

A realidade é, nas palavras de Abel Matos Santos, uma só:

“As mulheres hoje são empurradas pelo politicamente correto para o carreirismo, para estarem fora de casa, para terem uma carreira profissional, senão não valem nada.”

E os homens, perguntou o DN.

“Os homens não são empurrados para estas coisas, os homens sempre se sentiram, naturalmente, impelidos para isso.”

E insiste:

“A questão aqui é que há mulheres que não querem ter carreirismo, que querem ser mães, que querem estar em casa, que querem trabalhar e cuidar dos filhos, há mulheres que querem cuidar da família e isso não pode ser menosprezado.”

A Tendência Esperança em Movimento não põe em causa a opção de quem trabalha, como a presidente do CDS, Assunção Cristas. Também Joana Bento Rodrigues, recorda o porta-voz da TEM, “é uma mulher de sucesso, é mãe”. E Matos Santos elabora mais:

“Uma mulher que está em casa por opção própria não é uma prisão, não é uma imposição, há muitas mulheres que querem isso, que querem isso para si.”
Puxa de uma comparação improvável, a dos “países mais evoluídos no norte da Europa”, onde “as mulheres têm os filhos e ficam em casa dois anos e o Estado apoia-as nisso”. Também apoia os homens, aponta o DN. “Não, não, é diferente, porque sabe que o papel da mulher junto dos filhos é diferente do do homem”, contrapõe Abel Matos Santos.

Não é assim, na verdade: a Suécia, por exemplo, permite aos progenitores dividirem 480 dias de licença subsidiada para cuidar das crianças, obtendo um bónus de acordo como essa licença é dividida.
Para o porta-voz da TEM, o que importa é “discutir estas coisas”, atacando depois o que diz ser o “feminismo exacerbado”, como Joana Bento Rodrigues acusou o “marxismo cultural”.

“Temos de discutir sem preconceitos o papel da mulher na sociedade e valorizar as mulheres que optam por uma coisa que é diferente daquilo que o feminismo exacerbado defende que é a mulher que aborta, a mulher carreirista, a mulher que não tem de estar em casa, a mulher que se sobrepõe ao marido, como se o marido e a mulher não fossem iguais numa relação de amor, em constituir uma família, onde não há um melhor do que o outro, há uma complementaridade.”

Tudo se resume à liberdade das mulheres, garante.

“Tem de haver é liberdade e o grito que temos de dar é o da liberdade. As pessoas têm de ter a liberdade de poder escolher e as mulheres não podem ser menorizadas por quererem ficar em casa ou por quererem não ter uma carreira. Hoje em dia, a sociedade e os movimentos feministas e o marxismo cultural castigam as mulheres, diminuem as mulheres que optam por isto.”

O que é a Tendência Esperança em Movimento? Direção do partido não fala

De acordo com a Declaração de Princípios da TEM, disponível no site, “a principal razão para a criação da Tendência Esperança em Movimento é a evidência – que já não é possível ignorar – de que é mesmo preciso defender os nossos valores e afirmar a nossa identidade. Com efeito, esses valores – não só os do nosso partido mas também os da própria democracia constitucional de tipo ocidental – estão a ser atacados.” E acrescenta-se que estes valores estão a ser “assaltados pela agenda progressista de pendor relativista e niilista, pelo laicismo radical, pelo fundamentalismo islâmico e pela ilusão multicultural, pelo liberalismo sem limites, pela contínua erosão da soberania nacional, garantia primeira da liberdade do povo português, entre outros fatores”.
Sublinhe-se o “mesmo” na frase em que, para estes militantes centristas, “é mesmo preciso” defender os valores do partido e da sociedade, como se a atual liderança do CDS falhasse.

“Nós não somos preconceituosos”, argumenta o porta-voz da TEM.
“Põem-nos o estigma, ou que somos contra os homossexuais, ou que somos xenófobos, nós não somos nada disso, rejeitamos isso.”

O alvo do texto de Joana Bento Rodrigues sobre a lei da paridade era também Assunção Cristas, que votou a favor das quotas na política e, para mal dos seus opositores internos, se anunciou uma “acérrima defensora das quotas”, esperando que “no futuro não sejam necessárias quotas”, mas registando o seu “desagrado profundo” à forma como “o processo foi conduzido”.

O membro do Conselho Nacional centrista, Francisco Mendes da Silva, apontou o dedo à tendência no CDS que dispõe de “um cantinho que se podia chamar “tiro à Cristas”, pela forma como deixa claro quão detesta aquilo que Assunção é e representa”, referindo-se ao espaço de opinião de vários militantes da TEM no jornal Observador, que tem “um peso inversamente proporcional ao que tem no partido”. “Está aí tudo nesse tal artigo”, aponta Mendes da Silva, que chegou a ser deputado no início desta legislatura.

Para Matos Santos, o texto não representa um ataque à líder do partido. “Tem direito à sua opinião”, mas não deixa de fazer contas: só Assunção Cristas e uma outra deputada do CDS, Isabel Galriça Neto, votaram a favor da lei da paridade; e outros quatro deputados, incluindo o líder parlamentar, Nuno Magalhães, abstiveram-se. “O resto é tudo contra”, sentencia o porta-voz da corrente. É a líder que está (quase) isolada nesta matéria, lê-se nas entrelinhas.
Esta lei da paridade é, no entendimento da TEM, “inconstitucional” e impraticável.

“Não sei se amanhã, com a obrigação dos 40% [de pessoas de um dos sexos nas listas], não sei se elas [mulheres] estarão lá porque são capazes e competentes ou simplesmente por ser uma lei sexista”, atira.

Matos Santos recupera um argumento de Filipe Lobo d’Ávila, de que as mulheres não serão suficientes para os partidos comporem as listas. O porta-voz da TEM deixa um “exemplo prático: há freguesias e concelhos no país onde não há mulheres suficientes para integrar as listas.”

Abel Matos Santos rejeita qualquer menor representatividade da Tendência. “Nós valemos tanto no CDS hoje como o CDS vale no país”, argumentou ao DN. O porta-voz da TEM compara o partido ao país para melhor argumentar – e deixar um recado a Assunção Cristas.

“Quem nos acusa de falta de representatividade, então está a acusar o CDS de falta de representatividade no país. Nós valemos 10% no congresso e a alternativa à atual liderança vale 30% no congresso. Não é para ignorar, não é falta de representatividade, é o que é. Uma líder inteligente e que agrega tem de ter em conta estas diferentes sensibilidades e tem de tentar conciliar, ouvir, escutar. E isso é o que pedimos desde o princípio, e mesmo quando não nos querem escutar, nós falamos e dizemos. Alguma coisa há de ficar.”

A direção do CDS não mostrou disponibilidade para falar neste momento ao DN sobre a Esperança em Movimento.
A estrutura da Tendência, que é composta por uma comissão executiva e outra consultiva, tem 11 pessoas – apenas uma mulher. E, dos dez membros da TEM representados nos órgãos do CDS, também só há uma mulher, curiosamente a mesma: Sara Sepúlveda da Fonseca, que nesta terça-feira integrou um grupo de mulheres que entregou em Belém um manifesto assinado por 102 mulheres contra as alterações à lei da paridade nas listas eleitorais.

Na órbita desta corrente de opinião, há um nome que sobressai, o do antigo líder José Ribeiro e Castro, que não está em nenhum dos órgãos da TEM, mas já participou numa conferência da organização, juntamente com outros dois ex-presidentes, Adriano Moreira e Manuel Monteiro. A corrente defende o regresso deste antigo líder, que deixou há anos o CDS, então em rutura com Paulo Portas, e já o teve em dois encontros como um dos principais oradores.
Num desses encontros, o Congresso da TEM, participaram a líder centrista, Assunção Cristas, mas também o presidente da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, que também já tinham estado num ciclo de debates sobre as autárquicas.

“Isto é o debate normal”, diz Abel Matos Santos, sobre as propostas que a Tendência tem apresentado. “Em determinada altura, se a divergência for muito grande, exige-se clarificação, e para isso é que há congressos, eleições nas distritais e concelhias, os militantes terão liberdade de escolher um caminho ou outro.”

Para o porta-voz da TEM, o posicionamento desta corrente de opinião sobre a homossexualidade ou a família não belisca o que pensam sobre dirigentes do partido, como Adolfo Mesquita Nunes, que já assumiu ser homossexual, ou outros que são divorciados. “De modo nenhum”, garante ao DN.

“As pessoas são livres de fazer o que entenderem com a sua vida. Não tenho nada que ver com as opções sexuais, de vida, das pessoas. Era o que mais faltava. Nem a Tendência se mete nisso.”

Desde que as políticas não se afastem de uma certa linha. “Outra coisa é o modelo de sociedade que nós defendemos. Eu não tenho nada contra que dois homens ou duas mulheres vivam juntas, se amem e façam a sua vida. Agora, tenho contra quando lhe chamam casamento, o casamento não é isso, chamem-lhe outra coisa, uma união civil registada. Se lhe chamassem outra coisa, não vinha mal ao mundo.”

E vem mal ao mundo chamar-se casamento? “Mas não é. O casamento, se googlar, nunca foi entre duas pessoas [do mesmo sexo], é entre um homem e uma mulher. Agora é que passou a ser de outra maneira.”

De acordo com Matos Santos, neste caso, “o que interessa são as políticas, não são as pessoas”. Alguém como Mesquita Nunes podia ser líder do partido, questiona-se o próprio, para logo responder em que condições. “Nada contra, desde que a visão do país, da sociedade, da política, da democracia cristã se coadune com aquilo que nós entendemos, nada contra.”

A TEM não é confessional, assegura. Tudo se resume a “uma questão política, de termos os melhores ao serviço do país e da sociedade. Temos pessoas na Tendência que são divorciadas e que são homossexuais, para nós é irrelevante.”
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Mensagem por Mário Machado em Qua Mar 06, 2019 7:22 am

A juntar ao CDSXXI de Pedro Borges de Lemos...o CDS de Cristas estava muito melhor representado com qualquer um desses movimentos.
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Mensagem por Mário Machado em Qua Mar 06, 2019 7:32 am

Amigo..não te esqueças de mencionar o autor ou jornal que publicou os artigos. Obrigado Razz
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Mensagem por Barão Vermelho em Qua Mar 06, 2019 10:01 am

Mário Machado escreveu:Amigo..não te esqueças de mencionar o autor ou jornal que publicou os artigos. Obrigado Razz
certo Mário .... está fonte veio do DN Smile
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Mensagem por Mário Machado em Qua Mar 06, 2019 10:41 am

Obrigado amigo
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